segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Heroísmo Maragato- Teófilo Vargas

O que é Revolução?
Luta de irmão contra irmão,
são partidos exaltados
na serra de São Martinho.
Bem na beira do caminho,
tem a cruz dos degolados.

Ali doze prisioneiros,
nossos irmãos brasileiros,
atados a maniador.
Esperavam a madrugada
e o golpe da faca afiada
de um cruel degolador.

Mas por milagre divinal,
naquela noite fatal,
Bica Duarte fugiu!
Saiu correndo no mato,
guiado só pelo tato,
rumo à querência seguiu.

Chegou em casa a mãe chorando,
disse a seu filho abraçando:
-Como é grande o nosso azar!
Teu pai foi requisitado,
já seguiu preso e escoltado
pra ser morto em teu lugar!

-Não chores mamãe querida!
Eu defendo essa ferida!
Vou já montar a cavalo,
que importa a faca doer!
Eu vou cumprir meu dever,
e meu pai vou libertar!

E chegando em São Martinho,
cadavérico, sozinho,
o maragato valente:
pedindo:-soltem o velho!
eu peço, rogo e me ajoelho!
agora eu morro contente!

Então no destacamento,
naquele triste momento,
saiu o chefe pra fora:
-Basta moço destemido!
Eu atendo o teu pedido!
Leva teu pai e vai embora!

Houve geral emoção,
voz do Brasil, da nação,
berço de heróis inocentes!
Já vem de longe a carniça,
foi grande aquela injustiça,
praticada em Tiradentes!

Muita gente tem ciúmes
porque a luz dos vaga-lumes
e as flores das cochilhas,
é um cemitério bordado
porque já foi batizado
com sangue de farroupilha!

Da  política, dos partidos,
surgem os mal entendidos.
Essa megera madrasta!
Mata o gaúcho heroísmo.
Destruindo o patriotismo,
Destruindo a nossa raça!

Meus irmãos da vida rude,
da velhice à juventude
eu peço de coração:
-Vamos lutar sempre unidos,
conservando sempre erguido
o marco da tradição!

E voltando a estaca zero,
família Duarte eu quero,
merecer vossa confiança!
Vim prestar essa homenagem,
nos versos guardando a imagem,
Guarde os versos de lembrança!





quinta-feira, 4 de outubro de 2012

MACIEL


QUEM LEMBRA DO SEU MACIEL, QUE SE DIZIA EX-ESCRAVO E POSSUIR MAIS DE CEM ANOS? MORAVA NUM RANCHO À BEIRA DA ESTRADA, NÃO CAMINHAVA MAIS E ANDAVA GATINHANDO PELO PÁTIO. DEPENDIA DA BONDADE DOS VIZINHOS E DO SEU DÉJO, QUE O ABRIGOU NO SEU CAMPO, O APOSENTOU E O LEVAVA TODOS OS MESES PARA RECEBER A APOSENTADORIA NA CAMIONETE DO SEU ALDORINDO. O MACIEL FALECEU DE UMA INFECÇÃO NA PERNA CAUSADA POR UMA PEDRADA QUE UM CARRO LANÇOU AO PASSAR EM ALTA VELOCIDADE. SEU CAIXÃO FOI LEVADO AO CEMITÉRIO EM UMA CARRETA DE BOIS.

Tio Lú, com a Célia, Gilberto e Elisete (Década de 60)

quarta-feira, 14 de março de 2012


Antigo grupo escolar de água Negra que funcionava onde era a igrejinha adventista (década de 40). Em cima, da esquerda para a direita: Leda Marafiga, Gessy, Antunes, Antão e Walter Moreira.
Fila de baixo, esquerda para direita: Marlene, Zulai, Elza, Luis, Maria, Zeni e Locy.
Próximo à Água Negra fica uma cidadezinha chamada São Martinho da Serra. Alí viveu um poeta chamado Teófilo Vargas. Eu era criança e gostava muito dele. Tenho orgulho de ter sido meu amigo e saber até hoje algumas de suas poesias. Esta era a antiga casa do seu Teófilo e dona Cândida.





 A TAPERA DO REZENDE

A TAPERA DO REZENDE,
É UM VELHO RANCHO ASSOMBRADO.
CHEGA À NOITE A CASA PENDE
SAI CHISPA PRA TODO LADO. 
DÁ UM ESTRONDO A CASA FENDE,
BERRA UM BOI DESESPERADO. 
QUEM PASSA LÁ SE DEFENDE, 
USANDO A ARMA DO VEADO.

NO SILÊNCIO DAS HORAS MORTAS
APARECE UM JACARÉ. 
UM BURRO ATACA NAS PORTAS,
UM URSO DANÇA BALÉ. 
UM GATO DA BOCA TORTA 
CHUPANDO NUM PICOLÉ. 
O VIAJANTE NÃO SUPORTA, 
SAI GRITANDO E METE O PÉ.
TALVEZ DINHEIRO ENTERRADO 
DE ALGUM RICAÇO JESUÍTA. 
FICOU PRA SEMPRE ENCANTADO
LÁ NA TAPERA MALDITA. 
E O DIABO FOI CONVIDADO
PARA CUIDAR DA MARMITA, 
E O DIABO ENCARREGADO A COISA NÃO É BONITA. 

PRA SONDAR COM APARELHOS, 
JÁ TEM IDO MUITA GENTE.
QUANDO APARECE NO ESPELHO 
O TINHOSO DE REPENTE
COM UM BONEZINHO VERMELHO 
HORRÍVEL MOSTRANDO OS DENTES! 

MISTÉRIOS NINGUÉM DESVENDA 
DA TAL TAPERA ASSOMBRADA. 
HÁ MUITO DISPOSTA À VENDA,
MAS NINGUÉM COMPRA POR NADA. 
NINGUÉM COMPRA NEM A RENDA 
PORQUE A COISA É COMPLICADA. 
POUSANDO LÁ NA CONTENDA, 
É UMA CUECA CARIMBADA!

TEÓFILO FLORES DE VARGAS

élida Wolff, antiga moradora. (1952)

Gertrude Marafiga, irmã da vó Catarina. (década de 30)